segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Que era a luz dos olhos meus;

Ele caminhava desesperadamente pelas escuras e congelantes ruas do bairro. Precisava de algo, mas não sabia o que. Sentia seu corpo pedir por uma dose grande de qualquer coisa... Qualquer coisa que conseguisse devolver a paz que ele tinha conquistado, mas que morreu tão rápido quanto nasceu. Procurou a mão quente que sempre lhe dava forças ao seu lado e só então percebeu que ele não estava mais lá. Que ele havia desistido. O medo tomou conta dele com mais força que antes, mas ele não parou... Mesmo sozinho. Correu por mais duas quadras e só então percebeu que o que lhe enfraquecia não era a falta de comida, ou o cansaço de tanto correr, mas sim o gosto amargo que sentia por falta daqueles beijos que tanto o tranqüilizava. Enquanto pensava seus temores aumentavam e de tão pesados o derrubou no meio da rua. Um carro vinha com velocidade, mas não o notou caído em seu caminho. Ele tremia, mas não sabia se tremia de dor ou de frio. Encolhia-se para proteger-se de algo, parecendo um feto. A fina camada de gelo já começava a cobrir seu corpo. Foi quando ele viu seu companheiro ao seu lado de novo, com a face preocupada. Tê-lo de volta o fez sentir todo o frio desaparecer por um instante. Ele abraçou aquele corpo com força e fechou os olhos. Pediu para que este momento não acabasse (de novo)... Apertou ainda mais os olhos e não abriu mais.


Erick Vinícius de Sousa

2 comentários:

ana paula disse...

congrats pelo texto!
:*

Unknown disse...

Adorei o desenvolvimento do texto......ao mesmo tempo que chama à atenção deixa aquele suspense... Olha assim como no texto não corri mas andei vagarosamente.. na calada da noite.
A procura de uma resposta para meus pensamentos....confusos...
Espero que uma hora aconteça. como no fim do texto... um final..... melhor e sem duvidas.hehehehe