quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Era o ultimo dia do ano e ela estava irritantemente entediada. Vestia a camiseta da sua banda de rock preferida e calcinha preta. Só. Os cabelos estavam presos num rabo de cavalo e as unhas pintadas de azul claro. Pegou um pote de acetona e foi para o banheiro... Alguns minutos depois, sentia tontura.. Não sabia se era o efeito ou se era o cabelo preso com força, coisa que lhe causava dores de cabeça. E começou a pensar em todas as coisas feitas no ano, todas as coisas relativamente erradas feitas em publico, para todos verem, comentarem, aumentarem.
Uma onda de excitação a tomou, e ela entrou no chuveiro, não se arrependendo de nada que fez.

Marina Pedersen, 15 anos, drogada e prostituida. rs

Kaléidoscope blanc.

Oh, je ne suis pas pressé
J'attends que vous pleinement
Seulement la moitié de l'amour n'est pas partie
Je cherche à vous de me donner l'affection

Puis
Smother moi pendant que je lui explique
Quel est l'amour en pleurant
Douleur.

Seulement si je entendre un chuchotement
Il serait peut-être un rugissement
Peau, des ongles, du sang, du manteau
Kaléidoscope blanc.

Votre corps vert feuillage se répand
Dans ce lit de douleur
Oubliez le temps là-bas
Il est temps d'aller au panier

Et à la fin
Quand le sel laver nos ames
Tu t'en vas, après tout
“Allez, pour le calme"


Erick de Sousa

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Minhocas também só amam


- Desculpe-me o atraso, não lembrei da hora correta. Acho que tenho memória de minhoca.


- Minhoca tem memória?


- Hm, não sei.


- Dizem que elas têm 5 corações.


- 5 corações? Então elas realmente não têm memória. Com tanto coração para amar, não sobra espaço pra razão e essas coisas.


- Coitadas das minhocas.


- Coitadas mesmo.


Foi então que, num impulso, beijei seus lábios quentes. Pela primeira vez desde que o conheci, o sorriso brotou em seu rosto todo.


- Acho que sou uma minhoca.


Era a única coisa que eu podia dizer com certeza.

Erick de Sousa


domingo, 11 de outubro de 2009

E o mundo perde um palhaço...

Por um momento breve, o palhaço tropeçou na fala. Lembrou-se que havia marcas atrás de sua maquiagem e que seu coração batia de forma estranha. Saiu do picadeiro de supetão, deixando a platéia toda sem entender o que acontecia. Foi pra casa e não voltou mais ao circo. Remoia os cortes e chorava sangue. Lembrava que nem sempre um palhaço sorri.
Então, o equilibrista bambeou na corda e caiu. A bailarina esqueceu a coreografia e o mestre de cerimônias estava perdido por não ter o seu mais brilhante palhaço para manter a platéia que uivava, enfurecida. O circo chegara ao fim no momento em que o palhaço foi obrigado a trocar a maquiagem por uma caixa cheia de flores. O circo ficou preto e branco. A lona rasgava pouco a pouco e o picadeiro já estava entregue ao pó.
O cortejo foi feito com uma trupe de palhaços tristes que não conseguiam manter a pintura no rosto por causa das lágrimas.
O palhaço foi embora do circo, mas não conseguiu ir embora dos palhaços.
Então, de repente, a trupe lembrou daquela musica que o palhaço lhes ensinara. Levantaram as cabeças, retocaram a maquiagem, e cantaram. O palhaço havia feito a sua parte, agora cabia à trupe manter o sorriso da platéia. Deram os braços e saíram para as ruas.

Tombei, tombei, tornei tombar.
A brincadeira já vai começar.
Tombei, tombei, tornei tombar.
A brincadeira já vai começar.

O raio, o Sol suspende a Lua
Olha o palhaço no meio da rua
O raio, o Sol suspende a Lua
Olha o palhaço no meio da rua...



Erick de Sousa.
À Henrique Andrielli

sábado, 29 de agosto de 2009

Escrito na aula de matemática, no dia 27, enquanto eu ainda viajava por causa do show da noite anterior...

Tempos de Mangas

Fiquei exatamente 5 horas e 2 minutos esperando para vê-lo. Queria ser o primeiro a ter os dentes dele nos meus olhos sangrentos. “La revolución está em ti” ele me disse, e o resto passou a ser um diálogo baixinho, só dentro de mim. Voltei para minha cela e não dormi. Pensava apenas nos tênis surrados e o corpo verde. De madrugada, o toque das mãos aveludadas que eu sentira antes me despertou. O barulho do vento assustado chamava a noite assombrada. Ele apareceu e pousou a boca no pé do meu ouvido. Cochichou para mim a mesma coisa que havia dito para todos ouvirem antes e mesmo assim, estremeci. Tomou comigo alguns copos de cachaça e me tratou como uma menininha frágil, dizendo coisas embargadas com a voz engraçada, Beijou meus olhos com carinho enquanto nossos corpos conversavam e adormeceu nos meus (a)braços. Dormimos um.
De manhã, a única coisa que sobrou fio o cheiro bêbado de sua pele e algumas penas brancas. Ele voou com suas asas fumegantes e para mim só restou sua essência e um pouco de álcool quente. Na memória, na imaginação, as nossas melhores horas, a melhor madrugada vazia e solitária da minha vida. Desfile da mangueira na minha alma toda.

Erick de Sousa

Inspiração tirada de Vanguart, após o show! Só pra constar, não estou com "paixonite" platônica! A gente só não escolhe de que copo beber a inspiração.

Vou-me embora. As árvores já estão frondosas de mangas...

sábado, 8 de agosto de 2009

Primeiras rimas!

É só mais tarde que a gente percebe
Parece sina, sempre persegue
É só depois de "gente grande", idiota
Que a gente troca
Besteiras consumadas
Por besteiras consumidas
Loucuras na bagagem
Desejos estúpidamente selvagens.
Corpos queimando juntos... Só de passagem.


Erick de Sousa

terça-feira, 21 de julho de 2009

Preciso voltar a berrar!

Sabe aqueles versos do Drummond onde ele diz "Gastei uma hora pensando em um verso,/Que a pena não quer escrever./No entanto ele está cá dentro/Inquieto, vivo."
Hoje mais que nunca compreendo esses versos.

Preciso voltar a berrar. Já faz tempo que não sinto o alívio de um grito dentro de mim. Já faz tempo que deixo acumular certos fantasmas filósofos que querem conversar todas as madrugadas. Os gritos internos já estão roucos e loucos para sairem. Faz tempo que quero escrever alguma coisa, mas acho que, infelizmente, a vida está me prendendo muito a ela. Ou talvez ela esteja presa a mim. Talvez ela deva finalmente percebido algo em mim que a apetece e todo dia ela vem para fazer de mim um novo banquete. Parece que ela resolveu tirar de mim todo o sossego que eu tinha quando não vivia. Bem feito pra mim! Quem mandou reclamar que antes a vida era lenta e estúpida. Se eu soubesse que a vida tivesse esse peso todo, pediria para ficar loge dela por mais um tempo. Ou até mesmo para sempre. Talvez nem seja tão nescessário assim viver!


*Gritos internos remechem-se e batem com força contra minha garganta, raivosos!*

Não. Talvez seja nescessário sim! Acho que só não estou acostumado a viver! Antes tudo era tão doloroso e mórbido no meu dia-a-dia que acho que me acostumei com travesseiros molhados a noite, ao invés de papos inteligentes.

*Gritos internos sobem arranhando a garganta*

Eu acho q..AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!


*gritos aliviam-se*



Erick de Sousa

não que este conte muito, mas se eu não escrevesse qualquer coisa que fosse, eu seria engolido.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Serei breve. Sou breve, sempre. Acostume-se.

Me senti acometida por uma grande nuvem de inspiração, qual eu tinha certeza de que poderia tirar de dentro tudo o que eu precisava - ou julgava precisar - para um bom manifesto. Mas, como qualquer outra boa nuvem, não sei se o que tenho em mãos é de fato o que eu procuro ou é apenas mais um pedaço denso disso que agora paira sobre minha cabeça para se esvaecer por entre meus dedos tão cedo quanto eu o alcance.

Ah! Minha cabeça... esqueci-me dela há muito tempo. Tudo é sempre tão distante e fosco, como que um transe infinito e desprovido de perspectiva toda e qualquer... e mesmo quando sinto algo em minha pele, parece tão rústico e passageiro! Quase fosse toda e qualquer dor do mundo apenas uma coçadela aqui ou acolá, algo que dentro de meio minuto já se faz tão distante da minha pele que eu poderia suportar por anos. Como um peixinho dourado enclausurado em aquário, em três segundos esquecendo-se de tudo e voltando a achar que aquela estância vale a pena - oh! por que não, que a vida vale a pena! - e se amarrando a uma vida miserável e de inutilidade tamanha; mas ainda assim, livre de culpa.

Culpa essa que tem me assolado igualmente a anos. Agora vejo... me embaraço daquilo que não é incumbido à mim ou à erros meus. Talvez porque eu ignore meus erros reais; é difícil ver o que se está fazendo quando se está cego para a vida. Entretanto, tenho pensado que, mesmo se os visse, agiria com desdém. O que é a vida sem erros? Sem decadência, sem desassossego? São os nossos passos tortos que nos fazem sentir o chão, são as pedra atiradas que nos fazem sentir o sangue efervescendo pelas vísceras; esse sangue maldito que só me faz humana quando acompanhado da dor que nos torna divinos! De passagem confesso - sem culpa e sem receio - que são os açoites errantes que nos fazem inúteis, só de considerar inexistência proporcionada por nossa estranha e orgulhosa pequeneza.

Não criarei pseudônimos. Não inventarei personagens.

Sou atriz de mim mesma, e há muito tempo me vejo - e aos outros - como ficções de uma mente coletiva que de mim não depende nem necessita. Para moldar a dor e vergonha em algo digerível, moldamos a nós mesmos, não obstante, fazendo em frangalhos de carne puída nossos íntimos apenas para manusear os sentimentos que não nos cabem. Entretanto, seria mentira dizer que nunca conseguimos nos reconstruir de fato? Uma vez em pedaços, nunca mais somos os mesmos. Nos transformamos a cada pequena ruptura, nos rompemos a cada pequena mudança; abrimos em nós mesmos um círculo infinito que cria em si um furacão e nos deglute lenta mas violentamente.

Eu-líricos são inúteis para mim. Não gerarei lirismo de um eu que eu não conheço e que para mim é tão estranho quanto esse mundo que conduzo limitada por rédeas frouxas presas em meu desejo e antolhos desviando-me os olhos, já fatigados de procurar por alguma luz que não crie sombras. Com que fins criar um pseudônimo quando me recuso estritamente a enxergar minha própria culpa? Por que me culpar por escrever meus dizeres se já me perco novamente em meu próprio pensamento? A nuvem me aliena e me condena a vagar por anos nesse ácido aquário de psiques enquanto a miséria de minha alma me retalha e me proíbe de sentir algo que não seja minha própria desgraça indolor.


- Mariana Cury para 'Grito Interno', O1 / O7 / O9.
Considerações finais; desculpe o texto esdrúxulo. Sem mais, tentarei fazer algo melhor em breve.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Camila, KMZ

"Não me toque, não me acompanhe, não me siga
Eu não preciso de você.
Mas eu preciso tanto, tanto"

E ela continuava andando pelo seu bosque falso
Criado como se fosse
Um conto de fadas de terror.
Porque pra ela a vida era uma porra de conto de fadas clichê
Baseado em mentiras
Em medos e bebidas
E viver significava ter uma boa forma
Para morrer
Mas uma forma que não falhasse!
"Não dessa vez"
E assim
Na constância de sua vida vazia
Ela continuava sua busca de morte perfeita
Seu conto de fadas consistia em seguir sempre sozinha
Ela sempre destruia cada príncipe encontrado
Encantado.
"Não é o certo,
Não é o errado,
Ele é bom demais para mim"
Ela sentia que, talvez, ele não existisse
"Provavelmente está morto,
Tem de estar"
Se não estivesse?
Bom, ela saberia como matá-lo...

E ele sempre esperava. E sempre soube do seu fim.
"Irei encontrá-la e morrer", pensava.
"Olhe para mim, eu estou do seu lado"
Mas ela estava cega demais para vê-lo.
Cansada de sua vida medíocre, resolveu pular a parte do príncipe.
"Vou me preocupar com a minha morte"
E tratou de preparar seu café da manhã
Cor de amargo colorido.
"Killing Myself,
ZAHURA!" Gritou em liberdade
E finalmente entrou em sua bela caixa de vidro
Trincado de tanta espera.

E de fora ele olhava
"Eu devia estar ali"
Após muito chorar e ver o mundo chorar,
A luz se apagou.
Ouviu sua música preferida pela última vez
E se afogou no grande dilúvio de lágrimas
Saudosas.
Lágrimas do mundo.
E a vida de todos os outros pobres seres,
Pôde, enfim, continuar...

Erick Vinícius de Sousa

sexta-feira, 22 de maio de 2009

América - Allen Ginsberg (mas eu bem que queria que fosse meu)

América eu te dei tudo e agora não sou nada.
América dois dólares vinte e sete centavos 17 de janeiro de 1956.
América não agüento mais minha própria mente.
América quando acabaremos com a guerra humana?
Vá se foder com sua bomba atômica.
Não estou legal não me encha o saco.
Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal.
América quando é que você será angelical?
Quando você tirará sua roupa?
Quando você se olhará através do túmulo?
Quando você merecerá seu milhão de trotskistas?
América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas?
América quando você mandará seus ovos para a Índia?
Eu estou cheio das suas exigências malucas.
Quando poderei entrar no supermercado e comprar o que preciso só com minha boa aparência?
América afinal eu e você é que somos perfeitos não o outro mundo.
Sua maquinaria é demais para mim.
Você me fez querer ser santo.
Deve haver algum jeito de resolver isso.
Burroughs está em Tanger acho que ele não volta mais, isso é sinistro.
Estará você sendo sinistra ou isso é uma brincadeira?
Estou tentando entrar no assunto.
Eu me recuso a desistir das minhas obsessões.
América pare de me empurrar sei o que estou fazendo.
América as pétalas das ameixeiras estão caindo.
Faz meses que não leio os jornais todo dia alguém é julgado por assassinato.
América fico sentimental por causa dos Wobblies¹.
América eu era comunista quando criança e não me arrependo.
Fumo maconha toda vez que posso.
Fico em casa dias seguidos olhando as rosas no armário.
Quando vou ao Bairro Chinês fico bêbado e nunca consigo alguém para trepar.

Eu resolvi vai haver confusão.
Você devia ter me visto lendo Marx.
Meu psicanalista acha que estou muito bem.
Não direi as Orações ao Senhor.
Eu tenho visões místicas e vibrações cósmicas.
América ainda não lhe contei o que você fez com Tio Max depois que ele voltou da Rússia.
Eu estou falando com você.
Você vai deixar que sua vida emocional seja conduzida pelo TimeMagazine?
Estou obcecado pelo Time Magazine.
Eu o leio toda semana.
Sua capa me encara toda vez que passo sorrateiramente pela confeitaria da esquina.
Eu o leio no porão da Biblioteca Pública de Berkeley.
Está sempre me falando de responsabilidades.
Os homens de negóciossão sérios.
Os produtores de cinema são sérios.
Todo mundo é sério menos eu.
Passa pela minha cabeça que eu sou a América.
Estou de novo falando sozinho.
A Ásia se ergue contra mim.
Não tenho nenhuma chance de chinês.
É bom eu verificar meus recursos nacionais.
Meus recursos nacionais consistem em dois cigarros de maconha, milhões de genitais uma literatura pessoal impublicável a 2.000 quilômetros por hora e vinte e cinco mil hospícios.
Nem falo das minhas prisões ou dos milhões de desprivilegiadosque vivem nos meus vasos de flores à luz de quinhentos sóis.
Aboli os prostíbulos da França, Tânger é o próximo lugar.
Ambiciono a Presidência apesar de ser Católico.
América como poderei escrever uma litania neste seu estado de bobeira?
Continuarei como Henry Ford meus versos são tão individuais como seus carros mais ainda todos têm sexos diferentes.
América eu lhe venderei meus versos a 2.500 dólares cada com 500 de abatimento pela sua estrofe usada.
América liberte Tom Mooney²
América salve os legalistas espanhóis.
América Sacco & Vanzetti³ não podem morrer
América eu sou os garotos de Scottsboro¹°

América quando eu tinha sete anos minha mãe me levou a uma reunião da célula do Partido Comunista eles nos vendiam grão de bico um bocado por um bilhete um bilhete por um tostão e todos podiam falar todos eram angelicais e sentimentais para com os trabalhadores era tudo tão sincero você não ima-gina que coisa boa era o Partido em 1935 Scott Nearing¹¹ era um velho formidável gente boa de verdade Mãe Bloor me fazia chorar certa vez vi Israel Amster cara a cara.
Todo mundo devia ser espião.
América a verdade é que você não quer ir à guerra.
América são eles os Russos malvados.
Os Russos os Russos e esses Chineses.
E esses Russos.
A Rússia nos quer comer vivos.
O poder da Rússia é louco.
Ela quer tirar nossos carros das nossas garagens.
Ela quer pegar Chicago.
Ela precisa de um Reader’s Digest ver-melho.
Ela quer botar nossas fábricas de automóveis na Sibéria.
A grande burocracia dela mandando em nossos pos-tos de gasolina.
Isso é ruim.
Ufa.
Ela vai fazer os Índio aprender vermelho.
Ela quer pretos bem grandes.
Ela quer nos fazer trabalha dezesseis horas por dia.
Socorro!¹²
América tudo isso é muito sério.
América essa é a impressão que tenho quando assisto à televisão.
América será que isso está certo?
É melhor eu pôr as mãos à obra.
É verdade que não quero me alistar no Exército ou girar tornos em fábricas de peças de precisão.
De qualquer forma sou míope e psicopata.
América eu estou encostando meu delicado ombro à roda.¹³

Alen Ginsberg - América

sábado, 18 de abril de 2009

Garoto movido à moedas;

Mas ela não se sentia amada. Nunca se sentiu amada nem mesmo por sua mãe, que em todas as brigas lamentava o erro de uma noite. bêbada com um homem que passou. Mas ela queria ser amada. Um dia, brincando com ela mesma, encontrou no lixo um boneco de madeira, quase do seu tamanho. Decidiu leva-lo para casa. Na esperança de ser finalmente desejada por alguém, escravisou o boneco como seu único e fiel amante. Sentia-se tão atraida pelo boneco... Ele parecia tão cheio de alma e calor, que ela se entregou à ele... Mas o boneco não estava feliz. A cada noite que passava com ela, sentia seu verniz secar e rachar. A madeira perfeita que fora usada para fazer seu corpo começava a envergar e a alma que ele carregava, antes limpa, tanquila e apaixonada, começou a escapar pelas rachaduras de seu corpo cada vez mais podre. Ela o quebrava aos poucos. Sentia que o coração desenhado na madeira de seu peito, feito com canivete afiado, começava a diminuir e sangrar, mas já não podia fazer mais nada. Estaria condenado à garota até que desmanchasse, sem poder voltar para a estante de vidro partido em que ele morava antes de ser jogado fora.

Erick Vinícius de Sousa

segunda-feira, 30 de março de 2009

nó;

E longe daquele lugar, mais uma veia se rompia. Caído no piso frio de um banheiro sujo. Lá fora a música continuava e uma garota de cabelos sujos ria frenéticamente. O sangue que corria pelos braços feridos dele era quente e ele gostava disso. Gostava de saber que pelo menos isso ainda podia o aquecer, mesmo sabendo que sua alma já estava completamente fria. Ele levantou com dificuldade e cambaleou até a rua. Sentiu que a chuva começava a lavar aquela sujeira toda da qual ele não conseguia se livrar a tempos. A luz que acompanhava a música naquele lugar vazava por um buraco de uma janela quebrada e encontrava seu corpo. Desde os últimos dias, essa era a única luz que ele conseguia ver. Já se sentia fraco demais para continuar. Sabia pelo menos que havia tomado a decisão correta. Sabia que precisava devolver a paz para todas as outras pessoas que sentiam a dor de seus pulsos e sabia que fazendo isso, ficaria em paz também. Deitou perto do carvalho que estava plantado ali perto, tão seco quanto ele. Deitou e esperou. O sol já começava a nascer novamente e, ao vê-lo, sentiu um grande alívio. Não conseguiu falar mais nada. Não era capaz de fazer mais nada. Sorriu, fechou os olhos... E se entregou ao calor do sol.

Erick de Sousa

sábado, 21 de fevereiro de 2009

?

[...]
Quando acordou, já era de manhã. Estava deitada na grama ainda, completamente nua. Sentia uma dor de cabeça enorme e sua garganta estava completamente seca. Levantou-se e sentiu uma leve tontura. Já não ouvia mais a música. Entrara no casarão completamente deserto, exceto por algumas baratas que andavam de uma garrafa a outra. Encontrou uma garrafa meio cheia. Cheirou. Era água. Tomou num gole só, e da mesma forma que a água entrou, as lágrimas saíram. Num berro, jogou a garrafa que foi estilhaçar-se na parede. Priscila caiu no chão, e se pôs a soluçar. Estava cansada e completamente perdida.


Erick de Sousa

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

neve;

- diz:
Estranho...

{} diz:
O quê?

- diz:
Sei lá... Tá tudo tão... frio.

{} diz:
Está frio porque faz frio, oras

- diz:
Quis dizer do quadro.

{} diz:
Que quadro?

- diz:
O nosso quadro.

{} diz:
Á... Este quadro

- diz:
Achei que fosse ficar mais bonito se o deixássemos em croqui.
Se eu soubesse que preto e branco dói tanto.

{} diz:
Mas ainda existem alguns borrões coloridos.

- diz:
Onde?

{} diz:
Aqui!

- diz:
Á sim... Mas borrou por causa daquela chuva que o pegou a um tempo atrás. Ficou disforme.

{} diz:
Acho que a gente pode colorir um pouco aqui!

- diz:
Acho que não!

{} diz:
Por favor...

- diz:
Eu não tenho mais tinta...

{} diz:
Eu ainda tenho um pouco de tinta azul...

- diz:
Azul não combina ali.
Nada mais combina.
Nada!




Erick de Sousa

sábado, 7 de fevereiro de 2009

agonia

morrendo
morrend
morren
morre
morr
mor
mo
m





Confetes preto e branco.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Hei de amar-te até morrer

Faça de mim teu escravo.
Devore toda a razão que ainda me resta
Sem medo, sem receio.

Faça de mim teu escravo.
A submissão de um animal ao seu dono.
Faça seu banquete agora.

Sinta toda lógica indo embora.


Erick Vinícius de Sousa

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Que era a luz dos olhos meus;

Ele caminhava desesperadamente pelas escuras e congelantes ruas do bairro. Precisava de algo, mas não sabia o que. Sentia seu corpo pedir por uma dose grande de qualquer coisa... Qualquer coisa que conseguisse devolver a paz que ele tinha conquistado, mas que morreu tão rápido quanto nasceu. Procurou a mão quente que sempre lhe dava forças ao seu lado e só então percebeu que ele não estava mais lá. Que ele havia desistido. O medo tomou conta dele com mais força que antes, mas ele não parou... Mesmo sozinho. Correu por mais duas quadras e só então percebeu que o que lhe enfraquecia não era a falta de comida, ou o cansaço de tanto correr, mas sim o gosto amargo que sentia por falta daqueles beijos que tanto o tranqüilizava. Enquanto pensava seus temores aumentavam e de tão pesados o derrubou no meio da rua. Um carro vinha com velocidade, mas não o notou caído em seu caminho. Ele tremia, mas não sabia se tremia de dor ou de frio. Encolhia-se para proteger-se de algo, parecendo um feto. A fina camada de gelo já começava a cobrir seu corpo. Foi quando ele viu seu companheiro ao seu lado de novo, com a face preocupada. Tê-lo de volta o fez sentir todo o frio desaparecer por um instante. Ele abraçou aquele corpo com força e fechou os olhos. Pediu para que este momento não acabasse (de novo)... Apertou ainda mais os olhos e não abriu mais.


Erick Vinícius de Sousa

domingo, 4 de janeiro de 2009

Estória Romântica

É... Ele tem o dom de me deixar ridiculamente romântico.

"Aos poucos, ele também foi aprendendo a gostar. Aos poucos um foi submergindo na alma do outro e só o que eles sabiam pensar era quando conversariam novamente. Cravaram-se na pele um do outro, faziam-se tatuagem. Sentiam que o sangue que corria pelas suas veias já não era mais único. Sentia que de dois, foram-se fazendo um. A ligação entre um e outro se tornava cada vez mais forte e já não era mais possível respirarem sozinhos. Precisavam um do outro. Tornavam-se oxigênio."

Erick Vinicius de Sousa

Nem mesmo festas, amigos e biritas me faz tirar você da cabeça. Nada consegue substituir a falta que você me faz. Nada é grande o suficiente pra preencher o vazio que sua ausência provoca dentro de mim.

Erick Vinicius de Sousa

Calada! A ignorância está mandando.

Este é um poema escrito pela garota da qual eu disse no post da crítica à escola Jamil.
Emilly Cavalcanti da Silva.
Ela escreveu esse poema depois de conversar com o diretor.

Calada! A ignorância está mandando.

Alguém aponta outro alguém
e... "NÃO VÊ"

Olha, quanto tempo perdido.
Tento trocar minhas lágrimas de indignação,
Por uma boa leitura brasileira,
Conhecendo algo melhor
Fica mais fácil de transformá-lo.
Mesmo que seja muito pouco.

Talvez as palavras,
De um belo livro,
Distraiam meus olhos.
Porém, ao escutar um Grande Poeta
Cantar suas saudades
De um tempo que morreu
Meus olhos não suportam.

(Emilly Cavalcanti da Silva)


-erick