domingo, 3 de outubro de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Eu sou toda a revolta que vive no seio dessa cidade morta
toda dor que existe no esqueleto da flor
todo medo que assombra os olhos alucinados das almas noturnas
todos os gritos de orgasmo das fêmeas que carregam um punhal no ventre.
Eu vejo todos os projetos de adultos
caídos na sarjeta, rastejando
procurando acalmar seu tédio de copo em corpo
Sujando-se na lama das mentes de deuses de concreto.
Crianças rindo sem parar, com os pés descalços
perdidos na noite dançando em corpos desfeitos
moldando seus novos corpos em forma abstrata
dançando com sangue escorrendo ao ritmo de jazz
Misturando-se aos latidos de cachorros loucos
Que desesperados, tentar afugentar a lua que cresce a cada minuto
Tentando destruir essa noite que não passa.
Essas horas que não acabam.
Essas loucuras que não acabam.
A bebida que não acaba.
O peyote que não acaba.
nãopassanãoacabanãopassanãoacaba.
- Vamos Jhon, sua bixa velha, encha de uma vez esse copo. A noite é uma prostituta implorando pra ser fodida.
Erick de Sousa
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Querida Hanna P.
Mato-te. Não com o peso de um assassino, mas com o pesado veneno de um amor impossível. Mato-te para que não me mate antes com sua cruel e bem pensada ausência. Mas antes de te matar, escrevo essas últimas palavras numa explosão de um amor inconcreto e proibido. Minhas mãos querem te estrangular, mas minha alma berra por tua permanência. Mas é por te amar que me detenho e te mato. Preciso tornar-me um assassino para me libertar desse vício que me impede de musicar outras belezas. Amo-te com tal força que destruo meu corpo a cada chuva de granizo.
Tenho meditado sobre toda gota que tomei de suas palavras, mesmo cantando mantras pra tentar esquecê-las. Tenho me deitado com outras mulheres para substituir o seu peso que invade minha cama-corpo quando estou vazio. Passei por sete mares de gostos diferentes pra me livrar do teu, mas nenhum é forte o suficiente para tirar o seu gosto movediço do meu corpo. Não posso nem mesmo cantar a bela canção que você me ensinou sem sentir o sabor amargo-salgado da sua respiração. As gotas de outros corpos tem o sopro de sua transpiração. Tentoi inutilmente escrever sobre outras coisas, mas cada personagem que crio tem uma parte de teu tecido.
Sujei-me sim em outras lamas. Joguei juras de amor à outras pessoas, mas não consigo dar à outra o que dei de mais precioso: a minha verdade. Não consigo formar frases completas com outras, enquanto você arrancava livros inteiros com facilidade de dentro de mim.
Ah, e aquele último abraço! Três mil luas já se passaram e ainda sinto o aperto correndo por todo meu corpo. Três mil dias de pura lua. Enganei-me quando achei que eu poderia ser sua canção e você, a nota que faltava para a perfeição da minha obra. Destrí a minha obra! De quê adianta desejar ser arcádico se tú, protagonista da minha história, é inteira romântica? Não posso sentir o cheiro de feno e capim verde no teu corpo, se deitamos apenas em camas glaciais.
Morra Hanna! E que morra de forma tranquila e indolor. Que possas descançar em paz e ainda sim, viver em mim de forma que não destrua o meu coração e infecte minhas veias com o seu corpo-alma-palavra perfeita. Que possas descançar em mim e ser feliz sem carnaval. Que faça malabares com meus sorrisos e não com minhas dores venenosas e reais. Se a mais bela mulher já foi recusada pelo mais horrendo homem, conseguirei, sem muito esforço, me ver livre dos meus desejos banais por tí e ter apenas o carinho e saudade bela do teu corpo frio.
PS: Amar de mentira dói. Assim, pelo menos, podes me fazer carinho.
Erick de Sousa
terça-feira, 27 de abril de 2010
Lágrimas de Vidro - Erick de Sousa
Nunca pensei
Que poderíamos quebrar
Mas você quis testar
Começou a forçar
E nosso amor de vidro partiu.
Eu até tentei
Colar os pedaços
Mas me cortavam os dedos
O sangue me dava medo
E minhas mãos ficaram inválidas.
Você até tentou
Me ajudar a colar
Mas o mundo do lado de fora
Arrancou os seus olhos
E eles se perderam por aí.
Inutilmente tentei
Amenizar o caos aqui
Mas os olhos de um velho estranho
Regado de lágrimas me disse
“O verdadeiro amor só acontece uma vez”
segunda-feira, 12 de abril de 2010
De Gélius à Hermes
Erick de Sousa
Se tu não queres ser ferido
Mantenha-se longe do corpo
Afiado de Martírio
Tu sabes meu pequeno Hermes
Que aquele colo mui devassado
Carrega um punhal regado
Do mais letal e doce veneno
Que te afoga e te destrói
Se você já recusou Eliana
Tu podes muito bem, pequeno Hermes
Negar o corpo de Martírio
Tu sabes que do vinho que tomas
O mais barato homem ingere
E ainda esparrama
Ela não pode dar-te safra maior
Não pode ter sabor celestial
Se tu já aceitou Martírio
Tens capacidade de aceitar meu corpo
Mesmo que eu me chame Gélius
Não podes dizer que é pecado
Se tu só sorvia isso
Da saliva de Martírio
Torne meu corpo abrigo do teu
sábado, 20 de março de 2010
Me Importa, Martírio
Erick de Sousa
Pouco me importa, Martírio
Em quem tu desperta a libido
Desde que teu sexo seja só meu
Mesmo que nas noites
Outros homens a amem
A abram, a queimem, a dilacerem
Que sejam ao menos marcados
Com meu nome em teus
Pouco me importa, Martírio
Quem tu convidas pra jantar contigo
Desde que sejam partes do corpo meu
Mesmo que à noite
A língua de outros homens
Me lavem, me rasguem, me desespere
Que sejam ao menos regados
Por poemas meus
A mim só importa, Martírio
Que seu corpo seja apenas o meu abrigo
Se tu não me amas, minta que sim
Que sejam verdadeiras
Quando tuas meias palavras
Lavem meu umbigo, meu peito, meu liquido
E me liberam de todo o sal
Que existe em mim
Pouco me importa, Martírio
Quem tu convidas pra jantar contigo
Desde que sejam partes do corpo meu
Mesmo que à noite
A língua de outros homens
Me lavem, me rasguem, me desespere
Que sejam ao menos regados
Por esses versos meus.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Hanna P.
c
a
i
a
lá fora enquanto noticias de desastre passavam na televisão.
mas a enchente que me afogava
não eram gotas transversais
e nem vinha do alto. Vinha de dentro.
Luzes da cidade refletiam seu corpo brilhante
levemente embaçado pela fumaça do meu cigarro
que naquela noite em especial trazia um turbilhão
de gostos diferentes.
"Será esse o gosto?" perguntava uma coruja branca.
Quero comer as suas palavras
antes que suas iniciais me comam
Antes que elas devorem meus olhos
e cravem carvão quente em meu peito.
Antes que seu nome que insiste em aparecer
por todos os cantos
tornem-se as unicas palavras que eu conseguirei dizer.
Antes que o turbilhão comece
Antes que a chama de oitenta mil velas queimem
antes que o coração...
Bata.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Acho que todo amor só devia ter o primeiro estágio (ao menos que seja correspondido) porque o segundo estágio é terrivel; Você começa a ter ciúmes de todo mundo que esteja ao redor da pessoa que você ama, o coração fica gelado e corta quando descobre que a pessoa está com outra. Você tem vontade de berrar e impedir que o amor da sua vida vá para aquele cantinho escuro da festa com um estanho qualquer. Depois você acaba revelando pra pessoa que gosta dela, ouve um "você é como um irmão pra mim" e fica condenado a sentir uma dor aguda que parece que vai durar pelo resto da vida.
Mas aí um leve perfume passa na sua frente, exibindo o mais belo sorriso do mundo......
Erick de Sousa
domingo, 24 de janeiro de 2010
Você é perfeita e suave, como o cheiro das misturas de flores exóticas do jardim da casa da minha avó!
No meu inferno, é você é meu Cérberus.
E esse amor estranho é que nos mantém tão conectados. Como siameses!
Erick de Sousa, para Leê Sampaio

