Sabe aqueles versos do Drummond onde ele diz "Gastei uma hora pensando em um verso,/Que a pena não quer escrever./No entanto ele está cá dentro/Inquieto, vivo."
Hoje mais que nunca compreendo esses versos.
Preciso voltar a berrar. Já faz tempo que não sinto o alívio de um grito dentro de mim. Já faz tempo que deixo acumular certos fantasmas filósofos que querem conversar todas as madrugadas. Os gritos internos já estão roucos e loucos para sairem. Faz tempo que quero escrever alguma coisa, mas acho que, infelizmente, a vida está me prendendo muito a ela. Ou talvez ela esteja presa a mim. Talvez ela deva finalmente percebido algo em mim que a apetece e todo dia ela vem para fazer de mim um novo banquete. Parece que ela resolveu tirar de mim todo o sossego que eu tinha quando não vivia. Bem feito pra mim! Quem mandou reclamar que antes a vida era lenta e estúpida. Se eu soubesse que a vida tivesse esse peso todo, pediria para ficar loge dela por mais um tempo. Ou até mesmo para sempre. Talvez nem seja tão nescessário assim viver!
*Gritos internos remechem-se e batem com força contra minha garganta, raivosos!*
Não. Talvez seja nescessário sim! Acho que só não estou acostumado a viver! Antes tudo era tão doloroso e mórbido no meu dia-a-dia que acho que me acostumei com travesseiros molhados a noite, ao invés de papos inteligentes.
*Gritos internos sobem arranhando a garganta*
Eu acho q..AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!
*gritos aliviam-se*
Erick de Sousa
não que este conte muito, mas se eu não escrevesse qualquer coisa que fosse, eu seria engolido.
terça-feira, 21 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Serei breve. Sou breve, sempre. Acostume-se.
Me senti acometida por uma grande nuvem de inspiração, qual eu tinha certeza de que poderia tirar de dentro tudo o que eu precisava - ou julgava precisar - para um bom manifesto. Mas, como qualquer outra boa nuvem, não sei se o que tenho em mãos é de fato o que eu procuro ou é apenas mais um pedaço denso disso que agora paira sobre minha cabeça para se esvaecer por entre meus dedos tão cedo quanto eu o alcance.
Ah! Minha cabeça... esqueci-me dela há muito tempo. Tudo é sempre tão distante e fosco, como que um transe infinito e desprovido de perspectiva toda e qualquer... e mesmo quando sinto algo em minha pele, parece tão rústico e passageiro! Quase fosse toda e qualquer dor do mundo apenas uma coçadela aqui ou acolá, algo que dentro de meio minuto já se faz tão distante da minha pele que eu poderia suportar por anos. Como um peixinho dourado enclausurado em aquário, em três segundos esquecendo-se de tudo e voltando a achar que aquela estância vale a pena - oh! por que não, que a vida vale a pena! - e se amarrando a uma vida miserável e de inutilidade tamanha; mas ainda assim, livre de culpa.
Culpa essa que tem me assolado igualmente a anos. Agora vejo... me embaraço daquilo que não é incumbido à mim ou à erros meus. Talvez porque eu ignore meus erros reais; é difícil ver o que se está fazendo quando se está cego para a vida. Entretanto, tenho pensado que, mesmo se os visse, agiria com desdém. O que é a vida sem erros? Sem decadência, sem desassossego? São os nossos passos tortos que nos fazem sentir o chão, são as pedra atiradas que nos fazem sentir o sangue efervescendo pelas vísceras; esse sangue maldito que só me faz humana quando acompanhado da dor que nos torna divinos! De passagem confesso - sem culpa e sem receio - que são os açoites errantes que nos fazem inúteis, só de considerar inexistência proporcionada por nossa estranha e orgulhosa pequeneza.
Não criarei pseudônimos. Não inventarei personagens.
Sou atriz de mim mesma, e há muito tempo me vejo - e aos outros - como ficções de uma mente coletiva que de mim não depende nem necessita. Para moldar a dor e vergonha em algo digerível, moldamos a nós mesmos, não obstante, fazendo em frangalhos de carne puída nossos íntimos apenas para manusear os sentimentos que não nos cabem. Entretanto, seria mentira dizer que nunca conseguimos nos reconstruir de fato? Uma vez em pedaços, nunca mais somos os mesmos. Nos transformamos a cada pequena ruptura, nos rompemos a cada pequena mudança; abrimos em nós mesmos um círculo infinito que cria em si um furacão e nos deglute lenta mas violentamente.
Eu-líricos são inúteis para mim. Não gerarei lirismo de um eu que eu não conheço e que para mim é tão estranho quanto esse mundo que conduzo limitada por rédeas frouxas presas em meu desejo e antolhos desviando-me os olhos, já fatigados de procurar por alguma luz que não crie sombras. Com que fins criar um pseudônimo quando me recuso estritamente a enxergar minha própria culpa? Por que me culpar por escrever meus dizeres se já me perco novamente em meu próprio pensamento? A nuvem me aliena e me condena a vagar por anos nesse ácido aquário de psiques enquanto a miséria de minha alma me retalha e me proíbe de sentir algo que não seja minha própria desgraça indolor.
- Mariana Cury para 'Grito Interno', O1 / O7 / O9.
Considerações finais; desculpe o texto esdrúxulo. Sem mais, tentarei fazer algo melhor em breve.
Me senti acometida por uma grande nuvem de inspiração, qual eu tinha certeza de que poderia tirar de dentro tudo o que eu precisava - ou julgava precisar - para um bom manifesto. Mas, como qualquer outra boa nuvem, não sei se o que tenho em mãos é de fato o que eu procuro ou é apenas mais um pedaço denso disso que agora paira sobre minha cabeça para se esvaecer por entre meus dedos tão cedo quanto eu o alcance.
Ah! Minha cabeça... esqueci-me dela há muito tempo. Tudo é sempre tão distante e fosco, como que um transe infinito e desprovido de perspectiva toda e qualquer... e mesmo quando sinto algo em minha pele, parece tão rústico e passageiro! Quase fosse toda e qualquer dor do mundo apenas uma coçadela aqui ou acolá, algo que dentro de meio minuto já se faz tão distante da minha pele que eu poderia suportar por anos. Como um peixinho dourado enclausurado em aquário, em três segundos esquecendo-se de tudo e voltando a achar que aquela estância vale a pena - oh! por que não, que a vida vale a pena! - e se amarrando a uma vida miserável e de inutilidade tamanha; mas ainda assim, livre de culpa.
Culpa essa que tem me assolado igualmente a anos. Agora vejo... me embaraço daquilo que não é incumbido à mim ou à erros meus. Talvez porque eu ignore meus erros reais; é difícil ver o que se está fazendo quando se está cego para a vida. Entretanto, tenho pensado que, mesmo se os visse, agiria com desdém. O que é a vida sem erros? Sem decadência, sem desassossego? São os nossos passos tortos que nos fazem sentir o chão, são as pedra atiradas que nos fazem sentir o sangue efervescendo pelas vísceras; esse sangue maldito que só me faz humana quando acompanhado da dor que nos torna divinos! De passagem confesso - sem culpa e sem receio - que são os açoites errantes que nos fazem inúteis, só de considerar inexistência proporcionada por nossa estranha e orgulhosa pequeneza.
Não criarei pseudônimos. Não inventarei personagens.
Sou atriz de mim mesma, e há muito tempo me vejo - e aos outros - como ficções de uma mente coletiva que de mim não depende nem necessita. Para moldar a dor e vergonha em algo digerível, moldamos a nós mesmos, não obstante, fazendo em frangalhos de carne puída nossos íntimos apenas para manusear os sentimentos que não nos cabem. Entretanto, seria mentira dizer que nunca conseguimos nos reconstruir de fato? Uma vez em pedaços, nunca mais somos os mesmos. Nos transformamos a cada pequena ruptura, nos rompemos a cada pequena mudança; abrimos em nós mesmos um círculo infinito que cria em si um furacão e nos deglute lenta mas violentamente.
Eu-líricos são inúteis para mim. Não gerarei lirismo de um eu que eu não conheço e que para mim é tão estranho quanto esse mundo que conduzo limitada por rédeas frouxas presas em meu desejo e antolhos desviando-me os olhos, já fatigados de procurar por alguma luz que não crie sombras. Com que fins criar um pseudônimo quando me recuso estritamente a enxergar minha própria culpa? Por que me culpar por escrever meus dizeres se já me perco novamente em meu próprio pensamento? A nuvem me aliena e me condena a vagar por anos nesse ácido aquário de psiques enquanto a miséria de minha alma me retalha e me proíbe de sentir algo que não seja minha própria desgraça indolor.
- Mariana Cury para 'Grito Interno', O1 / O7 / O9.
Considerações finais; desculpe o texto esdrúxulo. Sem mais, tentarei fazer algo melhor em breve.
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