sábado, 21 de fevereiro de 2009
?
Quando acordou, já era de manhã. Estava deitada na grama ainda, completamente nua. Sentia uma dor de cabeça enorme e sua garganta estava completamente seca. Levantou-se e sentiu uma leve tontura. Já não ouvia mais a música. Entrara no casarão completamente deserto, exceto por algumas baratas que andavam de uma garrafa a outra. Encontrou uma garrafa meio cheia. Cheirou. Era água. Tomou num gole só, e da mesma forma que a água entrou, as lágrimas saíram. Num berro, jogou a garrafa que foi estilhaçar-se na parede. Priscila caiu no chão, e se pôs a soluçar. Estava cansada e completamente perdida.
Erick de Sousa
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
neve;
Estranho...
{} diz:
O quê?
- diz:
Sei lá... Tá tudo tão... frio.
{} diz:
Está frio porque faz frio, oras
- diz:
Quis dizer do quadro.
{} diz:
Que quadro?
- diz:
O nosso quadro.
{} diz:
Á... Este quadro
- diz:
Achei que fosse ficar mais bonito se o deixássemos em croqui.
Se eu soubesse que preto e branco dói tanto.
{} diz:
Mas ainda existem alguns borrões coloridos.
- diz:
Onde?
{} diz:
Aqui!
- diz:
Á sim... Mas borrou por causa daquela chuva que o pegou a um tempo atrás. Ficou disforme.
{} diz:
Acho que a gente pode colorir um pouco aqui!
- diz:
Acho que não!
{} diz:
Por favor...
- diz:
Eu não tenho mais tinta...
{} diz:
Eu ainda tenho um pouco de tinta azul...
- diz:
Azul não combina ali.
Nada mais combina.
Nada!
Erick de Sousa
sábado, 7 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Hei de amar-te até morrer
Devore toda a razão que ainda me resta
Sem medo, sem receio.
Faça de mim teu escravo.
A submissão de um animal ao seu dono.
Faça seu banquete agora.
Sinta toda lógica indo embora.
Erick Vinícius de Sousa
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Que era a luz dos olhos meus;
Ele caminhava desesperadamente pelas escuras e congelantes ruas do bairro. Precisava de algo, mas não sabia o que. Sentia seu corpo pedir por uma dose grande de qualquer coisa... Qualquer coisa que conseguisse devolver a paz que ele tinha conquistado, mas que morreu tão rápido quanto nasceu. Procurou a mão quente que sempre lhe dava forças ao seu lado e só então percebeu que ele não estava mais lá. Que ele havia desistido. O medo tomou conta dele com mais força que antes, mas ele não parou... Mesmo sozinho. Correu por mais duas quadras e só então percebeu que o que lhe enfraquecia não era a falta de comida, ou o cansaço de tanto correr, mas sim o gosto amargo que sentia por falta daqueles beijos que tanto o tranqüilizava. Enquanto pensava seus temores aumentavam e de tão pesados o derrubou no meio da rua. Um carro vinha com velocidade, mas não o notou caído em seu caminho. Ele tremia, mas não sabia se tremia de dor ou de frio. Encolhia-se para proteger-se de algo, parecendo um feto. A fina camada de gelo já começava a cobrir seu corpo. Foi quando ele viu seu companheiro ao seu lado de novo, com a face preocupada. Tê-lo de volta o fez sentir todo o frio desaparecer por um instante. Ele abraçou aquele corpo com força e fechou os olhos. Pediu para que este momento não acabasse (de novo)... Apertou ainda mais os olhos e não abriu mais.
Erick Vinícius de Sousa

