Por um momento breve, o palhaço tropeçou na fala. Lembrou-se que havia marcas atrás de sua maquiagem e que seu coração batia de forma estranha. Saiu do picadeiro de supetão, deixando a platéia toda sem entender o que acontecia. Foi pra casa e não voltou mais ao circo. Remoia os cortes e chorava sangue. Lembrava que nem sempre um palhaço sorri.
Então, o equilibrista bambeou na corda e caiu. A bailarina esqueceu a coreografia e o mestre de cerimônias estava perdido por não ter o seu mais brilhante palhaço para manter a platéia que uivava, enfurecida. O circo chegara ao fim no momento em que o palhaço foi obrigado a trocar a maquiagem por uma caixa cheia de flores. O circo ficou preto e branco. A lona rasgava pouco a pouco e o picadeiro já estava entregue ao pó.
O cortejo foi feito com uma trupe de palhaços tristes que não conseguiam manter a pintura no rosto por causa das lágrimas.
O palhaço foi embora do circo, mas não conseguiu ir embora dos palhaços.
Então, de repente, a trupe lembrou daquela musica que o palhaço lhes ensinara. Levantaram as cabeças, retocaram a maquiagem, e cantaram. O palhaço havia feito a sua parte, agora cabia à trupe manter o sorriso da platéia. Deram os braços e saíram para as ruas.
Tombei, tombei, tornei tombar.
A brincadeira já vai começar.
Tombei, tombei, tornei tombar.
A brincadeira já vai começar.
O raio, o Sol suspende a Lua
Olha o palhaço no meio da rua
O raio, o Sol suspende a Lua
Olha o palhaço no meio da rua...
Erick de Sousa.
À Henrique Andrielli
domingo, 11 de outubro de 2009
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