sábado, 29 de agosto de 2009

Escrito na aula de matemática, no dia 27, enquanto eu ainda viajava por causa do show da noite anterior...

Tempos de Mangas

Fiquei exatamente 5 horas e 2 minutos esperando para vê-lo. Queria ser o primeiro a ter os dentes dele nos meus olhos sangrentos. “La revolución está em ti” ele me disse, e o resto passou a ser um diálogo baixinho, só dentro de mim. Voltei para minha cela e não dormi. Pensava apenas nos tênis surrados e o corpo verde. De madrugada, o toque das mãos aveludadas que eu sentira antes me despertou. O barulho do vento assustado chamava a noite assombrada. Ele apareceu e pousou a boca no pé do meu ouvido. Cochichou para mim a mesma coisa que havia dito para todos ouvirem antes e mesmo assim, estremeci. Tomou comigo alguns copos de cachaça e me tratou como uma menininha frágil, dizendo coisas embargadas com a voz engraçada, Beijou meus olhos com carinho enquanto nossos corpos conversavam e adormeceu nos meus (a)braços. Dormimos um.
De manhã, a única coisa que sobrou fio o cheiro bêbado de sua pele e algumas penas brancas. Ele voou com suas asas fumegantes e para mim só restou sua essência e um pouco de álcool quente. Na memória, na imaginação, as nossas melhores horas, a melhor madrugada vazia e solitária da minha vida. Desfile da mangueira na minha alma toda.

Erick de Sousa

Inspiração tirada de Vanguart, após o show! Só pra constar, não estou com "paixonite" platônica! A gente só não escolhe de que copo beber a inspiração.

Vou-me embora. As árvores já estão frondosas de mangas...

sábado, 8 de agosto de 2009

Primeiras rimas!

É só mais tarde que a gente percebe
Parece sina, sempre persegue
É só depois de "gente grande", idiota
Que a gente troca
Besteiras consumadas
Por besteiras consumidas
Loucuras na bagagem
Desejos estúpidamente selvagens.
Corpos queimando juntos... Só de passagem.


Erick de Sousa