Mas ela não se sentia amada. Nunca se sentiu amada nem mesmo por sua mãe, que em todas as brigas lamentava o erro de uma noite. bêbada com um homem que passou. Mas ela queria ser amada. Um dia, brincando com ela mesma, encontrou no lixo um boneco de madeira, quase do seu tamanho. Decidiu leva-lo para casa. Na esperança de ser finalmente desejada por alguém, escravisou o boneco como seu único e fiel amante. Sentia-se tão atraida pelo boneco... Ele parecia tão cheio de alma e calor, que ela se entregou à ele... Mas o boneco não estava feliz. A cada noite que passava com ela, sentia seu verniz secar e rachar. A madeira perfeita que fora usada para fazer seu corpo começava a envergar e a alma que ele carregava, antes limpa, tanquila e apaixonada, começou a escapar pelas rachaduras de seu corpo cada vez mais podre. Ela o quebrava aos poucos. Sentia que o coração desenhado na madeira de seu peito, feito com canivete afiado, começava a diminuir e sangrar, mas já não podia fazer mais nada. Estaria condenado à garota até que desmanchasse, sem poder voltar para a estante de vidro partido em que ele morava antes de ser jogado fora.
Erick Vinícius de Sousa
sábado, 18 de abril de 2009
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