E longe daquele lugar, mais uma veia se rompia. Caído no piso frio de um banheiro sujo. Lá fora a música continuava e uma garota de cabelos sujos ria frenéticamente. O sangue que corria pelos braços feridos dele era quente e ele gostava disso. Gostava de saber que pelo menos isso ainda podia o aquecer, mesmo sabendo que sua alma já estava completamente fria. Ele levantou com dificuldade e cambaleou até a rua. Sentiu que a chuva começava a lavar aquela sujeira toda da qual ele não conseguia se livrar a tempos. A luz que acompanhava a música naquele lugar vazava por um buraco de uma janela quebrada e encontrava seu corpo. Desde os últimos dias, essa era a única luz que ele conseguia ver. Já se sentia fraco demais para continuar. Sabia pelo menos que havia tomado a decisão correta. Sabia que precisava devolver a paz para todas as outras pessoas que sentiam a dor de seus pulsos e sabia que fazendo isso, ficaria em paz também. Deitou perto do carvalho que estava plantado ali perto, tão seco quanto ele. Deitou e esperou. O sol já começava a nascer novamente e, ao vê-lo, sentiu um grande alívio. Não conseguiu falar mais nada. Não era capaz de fazer mais nada. Sorriu, fechou os olhos... E se entregou ao calor do sol.
Erick de Sousa
segunda-feira, 30 de março de 2009
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