sábado, 29 de novembro de 2008
XXI - Espetáculo de dança (Cordeirópolis)
"O Vilarejo e Vida Urbana"
Neste ano, esses eram os temas do festival de dança de Cordeirópolis. Como já é costume à 5 anos, fui ver a apresentação. O meu primeiro choque foi ver o quanto a cultura de Cordeiro não se desenvolveu em desejo de ver apresentações artísticas. Nunca o ginásio foi tão "pobre" de público quanto ontem. Até o ano passado, o ginásio ficava lotado, não tento nem sequer lugar para sentar, coisa que infelismente, não aconteceu neste ano.
O espetáculo deste ano foi menor do que o ano passado. Isso já vem acontecendo nítidamente a 2 ou 3 anos. Cada vez menos coreografias.
O Avançado e o Baby Class
Além de ter pouca dança, o Baby Class e Pré continua se apresentando. Estava eu, empolgado com a belíssima apresentação de abertura "Paquita" e "La Esmeralda", fascinado o por uma dança nitidamente difícil e muito envolvente, quando, logo após estas apresentações, vejo a dança do 2º grau. "Camponesas". Ok. é bonitinho ver as criancinhas dançando, mas se fosse eu, colocaria as crianças primeiro e o avançado no final, porque querendo ou não, iniciantes são tediosos (tanto que eu dormi na apresentação de "Primeiros Passos")
"Ciganos e Os quatro elementos"
São as duas danças que eu considerei no 2º ato. Jazz. Foram as duas melhores danças. O grupo avançado está "babante"
Participação da ginástica do D.E.T
Acho que foi a hora que eu menos gostei. Step e Jump são sempre iguais. Nada de novo, nada de inovador. Acho que só assisti Step porque estava chorando de rir com uma mulher que pulou toda empolgada antes da hora.
Ariane Canavesi e Rafael Ribeiro
Como sempre, gosto de observar quem mais me chama a atenção dançando. Este ano não houve dúvidas. (falarei agora de expressão de rosto e corpo, com o que sei do teatro, pois não tenho a mínima noção de TECNICA) Ariane (assim como no ano passado) rouba muito a cena. Em "Ciganos" era pra ela que eu olhava. Por mais que eu tentasse olhar para as outras meninas, seus movimentos e suas caras me puxavam para ela. Acho incrível a leveza com qual essa menina dança, e a forma que ela consegue chamar a atenção enquanto dança. Assim como no ano passado, Ariane, pra mim, foi uma das melhores coisas do espetáculo todo.
Rafael Ribeiro (que entrou este ano aqui em Cordeirópolis) esbanja talento. Outro que conseguiu me prender. (principalmente em "Os quatro elementos" e na Apoteose*!!!) Muitas vezes, em "Os Quatro Elementos" a dança passava a ser dele. Sua expressão também era muito marcante e seu corpo parecia se mexer sem qualquer tipo de esforço, de forma que, na maior parte do tempo, não "me deixava" olhar para outra pessoa.
* Foi o mais incrível pra mim. Dentre o elenco TODO, Rafael Ribeiro roubou a cena! Meus maiores parabéns vão, sem dúvida, para ele.
As Formandas
Patricia Darós e Ana Paula Simione, são outros pontos altos de uma apresentação. Carregam muito talento e paixão pelo que fazem e que com certeza, sem isso, não seria a mesma coisa. Podemos ver (isso nelas e em várias meninas) que elas não dançam simplismente, mas entregam seu corpo, sua mente e o mais importante, sua ALMA por inteiro.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Uma vela para Dario - Dalton Trevisan
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario roqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o podem ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva nem cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado a parede - não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, alem do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.
Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam das delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem relógio de pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a policia. O carro negro invade a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo - os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio - quando vivo - só destacava molhando no sabonete. A policia decide chamar o rabecão.
A última boca repete - Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançavam vê-lo, todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores cin almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.
Texto de Dalton Trevisan
-erick
domingo, 9 de novembro de 2008
Mal(ditos)
"Já não há mais cartas na manga. Já não existem mais formas imagináveis de tentativas de te esquecer. A casa rosto, a cada par, a cada dança ou copo de bebida com outra pessoa, me faz lembrar de você. Cada sorriso bonito que vejo, e faz lembrar do meu fascínio pelo teu. Cada corpo que vejo, me faz lembrar da forma que você se movimentava. A cada dança nas (malditas) boates com diversas pessoas, me faz lembrar de como teus braços me envolviam, me dando uma sensação de que o mundo pararia ali, e eu estaria seguro de tudo"
-erick
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Erick e a cólera pela luz do dia*
-erick
"Apesar de você, amanhã há de ser outro dia"
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Gummo

**
Dirigido por Harmony Korine, Gummo é um filme que conta a história de personagens variados. A história gira em torno dos personagens depois de um tornado que passa por Xênia - Ohio, que destruiu e matou muita gente. Os personagens são sobreviventes deste furacão e a maioria são jovens que perderam os pais, irmãos e amigos.
O filme é considerado um show bizarro! Os personagens principais matam gatos para conseguir dinheiro num açougue. Uma garota com Síndrome de Down é "obrigada" a se prostituir, um garoto circula sozinho pelas ruas, vestindo grandes orelhas de coelho rosa, e outras séries de personagens estranhos.
As cenas do garoto com orelhas de coelho, pra mim, são as mais belas do filme. Enquanto todo o filme é colocado com todos os personagens retratando o seu dia-a-dia, hora por cenas, hora por documentário, as cenas do garoto é colocada com um certo "lirismo", mesmo que a situação seja grotesca! Pra mim, é a melhor coisa do filme.
O filme não é ruim. Chega até a ser interessante. Harmony Korine foi audacioso o suficiente para colocar num único filme, tantos personagens que, muitas vezes, são excluídos e massacrados pela sociedade.
Porém, as vezes, o filme me pareceu meio chato. Quando o filme começava a adquiri um certo "ritmo" vinha uma cena que fazia esse ritmo cair. Eis o motivo pra eu não considerar o filme bom.
A última cena também é uma das que ficou na minha cabeça, onde uma garota com doenças mentais canta "Jesus me ama". Justamente ela, que teria motivos para odiá-lo.
De certa forma, vale a pena assistir ao filme!
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• - Péssimo
* - Ruim
** - Regular
*** - Bom
**** - Ótimo
***** - Excelente
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-erick
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
"O PT e seu fascismo (péssimamente) disfarçado"
Resolvi ler. Confiram:
"
Vamos fazer algumas suposições,ok?
Digamos que eu seja estudante de uma Universidade.
Digamos que num belo dia de aula, em que eu estou tendo aula realmente, aconteça um lançamento de plano de governo de um candidato no auditório dessa minha Universidade.
Digamos que esse lançamento aconteceu agora, numa candidatura a prefeito. E digamos que o pessoal que se reuniu para o lançamento esqueceu que estava dentro de uma Universidade e fez tanto barulho, tanto barulho que simplesmente me impediu - e meus colegas - de ter aula. A manifestação política e partidária foi tão exagerada que tornou impossível o exercício da educação, um ponto relevante do tal plano de governo, que justamente por isso foi lançado no auditório dessa Universidade.
Eu não fiquei contente por isso, já que gostaria de ter aula. Nem meus colegas. Então, 10 de nós fizeram uma faixa com os dizeres “Bela maneira de falar de educação: atrapalhando a nossa” e fomos protestar nesse auditório.
Chegando lá fomos ESPANCANDOS e SURRADOS por militantes do partido e seguranças.
Um absurdo, no mínimo, que mostra uma faceta extremamente fascista de um partido que acredita ser muito melhor que os outros - apesar da realidade desmentir isso - e não aceita críticas, de ninguém. Mesmo que não sejam críticas relacionados a bandeiras que defendem, mesmo que sejam críticas pontuais a um ato.
Ainda bem que estamos falando apenas de suposições.
Mentira.
Esse é o problema, isso tudo não é uma suposição. Leiam no VideVersus¹ essa notícia que aumentou ainda mais minha decepção com esse “partido”."
MATÉRIA DO VIDEVERSUS: http://www.videversus.com.br/index.asp?SECAO=89&SUBSECAO=0&EDITORIA=8924
E o maravilhoso Blog: http://naosounormal.com/
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O Brasil vale tanto quanto o seu voto!
(hahaha)
-erick
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Grito Interno.

"Ao redor, muitos vitrais, bancos, imagens de madeira e um crucifixo com a figura de Cristo exprimindo...paz? Estranho, um sujeito pregado numa madeira, com sangue escorrendo, um arame farpado na cabeça, exprimindo... Paz. Estranho" - Blecaute - Marcelo Rubens Paiva


